História Central 20 Anos

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História — Revista Central Models 20 Anos

  • Central.
    20 Anos de História da Imagem

    Tó Romano

    20 Anos
    Escrever sobre uma agência com 20 anos de representação de modelos, significa o mesmo que falar de imagem. A Moda com a sua criatividade antecipadora e visionária, e a Publicidade com a sua capacidade influenciadora dos nossos hábitos de consumo, sempre funcionaram em função dos sinais dos tempos, utilizando rostos e personalidades inseridas em contextos sociais reflexos de cada época, sempre condicionaram a nossa procura de caras a representar.

    Ao longo de duas décadas, várias foram já as gerações de jovens que connosco cresceram, em termos humanos e profissionais, todos tendo funcionado individualmente como uma aprendizagem recíproca, e que passados estes anos recordamos com orgulho e respeito, por tudo quanto fizemos em conjunto.

    A Central Models foi fundada em Setembro de 1989 com a intenção de estruturar, organizar e dignificar a actividade dos Modelos em Portugal, preparando-os para virem a ser Imagem dos mercados de Moda e Publicidade, que então, davam sinais visíveis de estar em vias de desenvolvimento. Respirava-se então, o entusiasmo na geração de jovens, dita do 25 de Abril, que após a revolução estavam sedentas por se expressar e inovar através de todos os campos das artes, que mais pareciam estarem a despertar e a tornarem-se pró-activos como que a reagir a um período de dificuldades e crises sucessivas.

    Começámos com a representação de quase cinquenta manequins, todos eles nossos ex-colegas: Alexandra Gomes, Ana Borges, Ana Mata, Chininha, Cristina Câmara, Elsa Gervásio, Luísa Fumaça, Luísa Vieira, Lucília Lara, Margarida Hilário, Maria João Baginha, Patrícia Coelho, Paula Parracho, Marina, Sandra Tavares, Rute Marques, Sofia Aparício, Telma, Vanessa Neffe, Xana Nunes, Nayma, João Carlos, Alfredo Laroca, Amaro, José Luís, Miguel Blanc, Nelson Melo, Nuno Figueira, Paulo Macedo, Paulo Silva, Pepe, Victor Hugo…

    Até então, os modelos eram chamados de “manequins”, a maioria dos trabalhos para os quais eram requisitados a desempenhar eram na sua quase totalidade desfiles de passerelle, promovidos pelas marcas portuguesas e pela indústria têxtil nacional que tinha tido forte peso na balança das exportações portuguesas nos finais da década de 70 e na primeira metade da década de 80. Fabricávamos e produziamos bastante, peças a feitio com moldes trazidos por compradores estrangeiros para encomendas de “milhões”, quase desprovidas de design português, proporcionadas e favorecidas pelos baixos custos da nossa mão de obra.

    Entretanto, emergiam no médio oriente (Taiwan, Filipinas, Indonésia, China…) novos centros com produção e mão de obra mais baratos que os nossos. Esse facto provocou uma demandada gradual dos clientes que até então vinham a Portugal e que deixavam de marcar presença nas feiras Portex, Fil Moda e Mocap, de roupa e calçado respectivamente, rumando àqueles mercados. Iniciava-se assim a crise na nossa indústria têxtil com o encerramento de várias fábricas um pouco por todo o país, com uma repercussão acentuada no Vale do Ave e na Covilhã.

  • O INÍCIO DA MODA EM PORTUGAL

    Era chegado a altura de investir no Design de Moda Portuguesa. Com gestão participada pelo governo, apareciam no início dos anos 80 as primeiras escolas de estilismo: o Citex, o Civec, o Citeme um pouco mais tarde a Masgestil, o Iade e a Gudi. Proporcionou-se deste modo o aparecimento de Estilistas, hoje chamados Criadores, que seguindo os passos de Ana Salazar principalmente, e também de Manuela Gonçalves, começavam a despontar e a fazerem-se notados através de diversas iniciativas com destaque para os memoráveis desfiles “Manobras de Maio” efectuados na Rua do Século, e que levavam ao rubro toda uma geração de jovens, com um potencial criativo imenso, com vontade de “explodir” em processos de inovação, de se fazerem notar através dos olhares na rua com o seu modo diferente de vestir, organizando os mais diversos acontecimentos culturais, assim acreditando que se podia “mudar o mundo, as mentalidades”.

    Apareciam assim nomes como José António Tenente, Filipe Faísca, Lena Aires, Pedro Lata, Mário Matos Ribeiro, Eduarda Abbondanza, Manuel Alves, José Manuel Gonçalves,Luís Barbeiro, Paulina Figueiredo, etc… e um pouco mais tarde, com o nascimento da Moda Lisboa já em 1991, Nuno Gama, Luís Buchinho, Maria Gambina, Miguel Flor, Dino Alves, Maria Gambina, Anabela Baldaque, Osvaldo Martins, Katty Xiomara, Paulo Cravo, Nuno Baltazar, etc… paralelamente aos costureiros José Carlos, Paulo Matos, Manuela Tojal e Augustus no campo da Alta Costura.

    Por essa altura, eu e a Mi tínhamos a noção convicta de que o futuro passava pela Imagem, à semelhança do que havíamos observado pelos países por onde havíamos trabalhado internacionalmente. Começavamos a observar os primeiros editoriais de moda nos cadernos do Independente, nas revistas ELLE, Marie Claire, Máxima e na Kapa no final dos anos 80, e com elas começou a haver suporte para a fotografia de moda, tendo continuidade nos catálogos de imagem que os Estilistas apresentavam em simultâneo com as suas colecções em passerelle. Ao boom criativo dos Estilistas, salientavam-se agora fotógrafos (Pedro Cláudio, Inês Gonçalves, Paulo Valente, Isabel Pinto, João Silveira Ramos, Paulo Cristóvão, Kenton Thatcher, Xico Aragão, Carlos Ramos, e a Norte, José Luís Dias, Cassiano Ferraz, Óscar Almeida, Paulo Neves,…), maquilhadores e cabeleireiros (Cristina Gomes, Antónia Rosa, Paulo Vieira,…) e produtores (Isabel Branco, Paulo Gomes, Isabel Escaja, Sum Sum Avilez, …).

    Os manequins começavam a ser valorizados e procurados também pela sua fotogenia, dando origem à designação de Modelos, que perdura até hoje. Os books de imagens (portefólios) e os compositos começaram a ser os seus principais instrumentos de trabalho e promoção, seguidos atentamente por todos os clientes, dando origem ao aparecimento de novos modelos de referência que despontavam, ao ilustrar os melhores trabalhos: Rita Dias, Ana Cristina Oliveira, Astrid Werdnig, Anna Westerlund, Elsa Correia, Evelina Pereira, Helena Raposo, Helena Miyai, Rita Carvalho, Júlia Schonberg, Paula Raposo, Kátia Pessoa, Mena, Esmeralda, Swailla, Paulo Pires, David Simões, Eduardo, Pedro Lima, Afonso Vilela, Gonçalo Gaioso, Rubim, Miguel Teixeira, Tiago, Johnny, Miguel Duarte,…

  • O BOOM DA PUBLICIDADE

    O aparecimento em 1993 dos canais de televisão privados SIC e TVI, vêm dar um novo impulso ao meio publicitário e ao mercado de consumo, determinante para uma transformação gradual e em crescendo no funcionamento da agência Central. Os comerciais de TV multiplicavam-se e novos suportes publicitários como Outdoors, Mupis e novos tipos de mobiliário urbano, como as paragens de autocarros, que emprestavam às cidades um novo colorido a chamar as atenções, e incentivava o consumo de produtos através de campanhas consecutivas, promovendo o desenvolvimento de uma indústria que fazia por recuperar o tempo perdido em relação à qualidade das imagens e mensagens publicitárias então já praticadas noutros países.

    A importância do marketing e da publicidade, com reflexo nas vendas de qualquer produto, tornou-se fundamental para o sucesso das marcas, criando oportunidade para a abertura de novas agências de publicidade, centrais de compras e de produção, novas produtoras de televisão, realizadores, técnicos de som e luz, fotógrafos e estúdios, criando especialidades… Da quantidade, num ápice alcançava-se a qualidade. Ao observar-se um bloco de anúncios na TV, os espectadores deixavam de ter noção se a produção dos mesmos era efectuada em Portugal ou no estrangeiro. Os criativos que entretanto chegavam do Brasil, tornavam as mensagens mais cómicas e comunicativas a que ninguém ficava indiferente, utilizando expressões e slogans típicos da vivência da cultura popular e da língua portuguesa, tornando a publicidade mais divertida.Campanhas célebres como o “Tou Chim” tornavam-se comentadas nas ruas, escolas ou empregos, emprestando uma alegria contagiante a um país que até então se tinha como triste.

    Portugal progredia a olhos vistos, fundos comunitários da CEE ajudavam a modernizar o país, jovens empresários recém formados entravam para os quadros das empresas (geração Yupies), aproximava-se a dita era da globalização com o desenvolvimento informático e a internet, que em Portugal toma uma dimensão especial com a organização da Expo 98.

    A Publicidade requisita modelos comerciais com traços de beleza clássicos, cuja imagem tenha impacto de atracção e seja do agrado da maioria das audiências; os concursos de Miss Portugal obedeciam a esses propósitos e a Central representa algumas vencedoras: Alexandra Gomes, Nucha, Carla Caldeira, Francisca Sobrinho, Fernanda Silva, Isabel Costa e um pouco mais tarde Telma Santos. Faziam parte de uma equipa de modelos forte e versátil que funcionava tanto em moda como em publicidade: Sara Borges, Sandra Teixeira, Jô, Rita Rodrigues, Joanne Iverson, Teresa Labat, Margarida Alvarez, Carmen Godinho, Margarida André, Karen Sneider, António Borges, Luís Gamboa, Ed Holmes, Rubim, Miguel Teixeira, Mário Franco, Ricardo Amorim, Pedro Reis, Valter, Vitor Rangel,…

    A todos os modelos aparecia um novo desafio, a arte e capacidade de comunicar e de serem expressivos. Sessões de casting sucessivos, conferiam aos modelos a possibilidade de desenvolverem individualmente competências de acting em frente às camaras, alcançadas pela própria experiência. Os canais de televisão, promoviam o incremento nas produções audiovisuais, séries, telenovelas, telefilmes, e eram confrontados com falta de actores no mercado e de descobrirem novas caras, de preferência com uma boa imagem, tornando assim as produções mais atractivas. Acreditando nas suas capacidades de acting, uma série de modelos não ficaram indiferentes a esta oportunidade para tentarem alcançar o mundo da representação, e os que realmente tinham talento para desenvolver, singraram numa nova profissão como actores, que lhes conferiam já a possibilidade de encararem o futuro profissional de um modo diferente, em contraste com o carácter efémero da actividade de modelo, que inevitavelmente os faria terminar a carreira próximo dos trinta anos. Começavam a criar-se as condições para que a Central começasse a projectar um novo departamento que mais tarde apelidámos de Central Movie, para acompanhar também a carreira dos nossos jovens actores, e que alguns são hoje uma referência na televisão, no teatro e no cinema português: Adelaide Sousa (a única representada pela agência desde o início em 1989 até ao presente), Bárbara Elias, Paula Neves, Núria Madruga, Dália Madruga, Neuza Teixeira, Ana Cristina Oliveira, Alexandra, Cristina Mohler, Sílvia Alberto, Sandra B., Sofia Cerveira, Anabela Moreira, Rita Stock, Sónia Balacó, Raquel Rocheta, Paulo Pires, Pedro Lima, Nuno Graciano, Alexandre Silva,…

    O volume de trabalho crescia exponencialmente, havia necessidade de ampliar a equipa de modelos representados para dar resposta em diversas frentes a pedidos com necessidades distintas de tipos de rostos. Dava-se início a uma geração de modelos provenientes de concursos nacionais que nos permitiam conhecer jovens vindos de todo o país. A Central negoceia com a mitíca agência Ford de Nova Iorque e adquire os direitos do concurso “Super Model Of The World”. Em 1996 a Diana Pereira, após vencer a competição nacional, representa Portugal na final mundial em Los Angeles e vence com apenas 14 anos, chamando as atenções de todos para a Moda Portuguesa. A vitória da Diana, desencadeia o sonho de querer ser modelo e provoca a inscrição de milhares de concorrentes em cada edição nos anos seguintes, com destaque especial para a final mundial realizada em 1997, no Coliseu dos Recreios em Lisboa, organizado pela Central Models. Dos concursos de modelos organizados pela agência saíram nomes de vencedoras como, Luísa Beirão, Dora (com a Cosmopolitan), Sofia Baessa, Susana Traça, Diana Pereira, Isabel Pereira, Marta Cruz, Joana Freitas (Super Model of the World), Petra (Levis), e já na ultima década, Laura Afonso, Sara Salgado, Alice Contreiras, Miléne Veiga, Filipa Maia, Sara Sampaio, Lúcia Peixoto, Laura Gonçalves, Ricardo Claudino, Leonardo, Jonathan e Kevin, Diogo Vaz, e José Bebianno (Cabelo Pantene). Ao mesmo tempo destacam-se outros nomes como Adiza, Ana Paula, Carla Garcia, Carolina Poppe, Nadiya Sabelkina, Rita Lacerda, Teresa Mello, Nuno Romano.

  • FAMÍLIA, VALORES E PRINCÍPIOS

    Se por aquela altura já era positivo para nós que fossem as próprias mães a contactar-nos para nos apresentarem as filhas, sinal que começavamos a ser uma referência no mercado e que o envolvimento criado com os nossos representados com atenções de proteção, cuidados e transmissão de valores e princípios, como se uma grande família se tratasse, fazia com que houvesse um depósito de confiança no nosso trabalho até então. A representação de jovens implicava um desdobrar de atenções, assumimos a responsabilidade de lidar com um grupo grande de jovens, em muitos casos com 14 ou 15 anos, longe de estarem humanamente formados e de modo a encararem um mercado de trabalho que pela sua especificidade poderia convidar a deslumbramentos de diversa espécie. Desenvolviamos uma relação profissional que funcionava em triângulo, com a envolvência da agência, modelos e respectivos pais. Não faria sentido dirigirmos a Central representando jovens, se esse facto implicasse o desequilíbrio para a vida futura de um só jovem que fosse, ou contrariar a vontade dos pais. Por exemplo, o facto de um adolescente saber o avultado montante de dinheiro que estaria a receber num só dia de trabalho, poderia implicar começar a fazer um juizo errado do real valor do dinheiro e que poderia facilmente tornar-se independente, ou que os estudos poderiam ser relegados para segundo plano. Sabiamos a influência que exercíamos nos jovens, mas nunca pusémos os nossos interesses em primeiro lugar, mesmo ficando desfavorecidos. Fruto desse procedimento de acompanhamento, por vezes mais depressa jovens nos confidenciavam segredos requisitando ajuda, do que aos próprios pais. Esse relacionamento era-nos gratificante; o elevar a auto-estima e transmitir confiança nos seus passos a cada um, o aprenderem a relacionar-se e adaptar-se a novas situações, a trabalharem em equipa, a melhorarem competências (ferramentas tão valorizadas nos dias de hoje), era vital naquelas idades de formação, pois era apenas o início de uma relação de trabalho em que os íamos acompanhar ao longo de mais de dez ou quinze anos, numa fase da vida em que tudo acontece: sucesso ou insucesso escolar, entrada na faculdade, primeiro namoro, casamento, primeiro filho, etc…

    A Moda procura caras “únicas”, com pormenores e características étnicas ou internacionais. Cores e cortes de cabelo particulares, bocas e lábios grossos e sensuais, sobrancelhas espessas, canas de nariz imperfeitas faziam juz ao lema “Todos diferentes, Todos iguais”. Os modelos da Central “invadem” os editoriais em revistas de moda que continuamente vão aparecendo no mercado: Cosmopolitan, Activa, Lux Woman e finalmente a Vogue. Com o Portugal Fashion, mais holofotes iluminavam ainda mais a Moda portuguesa, projectando-a além fronteiras.

  • O SUCESSO INTERNACIONAL

    A internacionalização dos modelos portugueses foi um dos grandes objectivos da Central Models desde o seu início, o que nos levou a desenvolver relações de trabalho e contratos com mais de 70 agências espalhadas por todo o mundo. Fizemos por motivar e fazer acreditar desde sempre aos modelos que representamos e que tínhamos a certeza de terem nível internacional, para se aventurarem, e criando as condições para se correrem o menos risco possíveís, irem competir nos mais diversos mercados internacionais. O primeiro grande sucesso, foi o de Júlia Schonberg, que depois de passar um mês em Madrid e ter fotografado com um dos mais conceituados fotógrafos, Javier Vallonrat, a colocámos na agência Marilyn Gautier em Paris, onde se torna uma autêntica estrela chegando a ser considerada por Chistian Lacroix a sua musa, encerrando todos os seus desfiles com o vestido de noiva, e também de Jean Paul Gaultier, com quem ficou a trabalhar depois de uma carreira de sucesso, tendo sido a única modelo portuguesa a conseguir entrar para o restrito grupo das super modelos que faziam os melhores desfiles do circuito internacional de passerelle, Paris Milão e Londres.

    Paulo Pires com a sua fantástica imagem espalha o seu charme por onde passa e é o primeiro modelo da Central a efectuar uma campanha para uma grande marca de moda, a Christian Dior. Dá origem a uma geração de modelos que trabalham com sucesso no estrangeiro: Ana Cristina Oliveira, José Luís, Pedro Lima, Ana Isabel, Elsa, Sofia Baessa, Joaquim, Tiago Nunes, Miguel Teixeira, Pedro e Ricardo Guedes, Rodrigo Soares, Tiago Lobo, Nuno Lopes, Mário Franco, que regularmente fotografam para revistas como Madame Fígaro, Arena Homme Plus, Luomo Vogue, Wallpaper, Elle, … e campanhas fotografadas por Bruce Weber, Mário Testino, Ruven Afanador, Satoshi Saikusa, Steven Meisel,…Pedro e Ricardo Guedes são possivelmente os nomes mais conhecidos de uma geração de modelos masculinos reconhecidos internacionalmente por agentes e clientes internacionais. Em 1999 Mário Testino fotografa em Lisboa para a prestigiada Luomo Vogue um editorial de 24 páginas com 12 modelos portugueses, todos representados pela Central Models.

    A década de 90 foi marcada pelo optimismo deixando prever um futuro fantástico para o país com a passagem do milénio. Havíamos passado anos em que uma geração de super top models internacionais se tornavam ícones de beleza famosas: Cindy Crawford, Linda Evangelista, Helena Christiansen, Naomi, Carla Bruni, Amber Valetta, Claudia Schiffer…; Qualquer menina de liceu, mais facilmente sabia o nome de dez super modelos do que o nome de actrizes de cinema.

    A publicidade fazia vender os produtos através do conceito de sonho, dos ideais de beleza quase inatingível, fomentando assim o consumo pela via da aspiração pessoal: eu quero ser como ela, quero ter o carro que ele conduz, usar os mesmos produtos que ela usa. Foi o período áureo dos modelos no mundo inteiro.

  • O INÍCIO DA MUDANÇA

    Com o 11 de Setembro de 2001 entra-se definitivamente na era do medo e dos receios, com os diferentes significados que estes possam representar para cada um, individual ou colectivamente. Desincentiva-se o consumo de produtos de super luxo, a alta costura em Paris deixa de criar tanta euforia à sua volta, e a publicidade deixa de assentar no conceito aspiracional do sonho inatingível e de utilizar os ideais de beleza, para começar a utilizar a imagem de pessoas comuns como aquelas com quem nos cruzamos na rua e com quem nos revemos e identificamos, assente na imagem do mundo real.

    Dá-se início a uma década de profundas transformações sucessivas tanto na moda como na publicidade, com implicação directa no funcionamento das agências de modelos, e principalmente na profissão de modelo, em que a vasta concorrência reduz a assiduidade e volume de trabalhos para cada um, tornando-se esta actividade mais num hobbie de luxo do que uma profissão, que na verdade só o é para aqueles que têm um nível excelente e que para além do mercado português, lhes permita trabalhar também noutros países. Internacionalmente assiste-se ao quase desaparecimento das super top models mundiais que tinham marcado a década anterior, “sobrevivendo” practicamente só a Kate Moss, ícone de estilo e irreverência, grande simbolo por si só impulsonador da moda britânica. A brasileira Giselle Bundchen é a única mega estrela a brilhar a partir do ano 2000.

    Em Portugal, entra-se evolutivamente na era do Low Cost e do Real People, em que passamos a observar na publicidade, em vez do ideal de beleza individualizado, a utilização de caras comuns, grupos de gente por vezes até multidões, retratando grupos de comportamento e situações de rua do dia-a-dia. Requisitam-se constantemente caras novas, mais figurantes, menos protagonistas. A moda entra numa fase de democratização, os desfiles aproximam-se do consumidor final, praticam-se maioritariamente em centros comerciais, nas grandes superfícies ou promovidos pelas Câmaras Municipais um pouco por todo o país. Multiplicam-se o número de agências no mercado que, especializadas em figuração têm centenas ou milhares de pessoas representadas. Em simultâneo assiste-se ao aparecimento da cultura das “celebrities”, a maioria lançada pelas séries de televisão e mediatizadas pela imprensa social. Actores de TV ganham protagonismo, imagem e publicidade. É uma fase vivíssima, que dá oportunidades a muitos, e em que todos aspiram a ter acesso aos “seus quinze minutos de fama”, mas que também proporciona a muitos poderem ser mais conhecidos do que, reconhecidos… Os média tomam uma relevância extraordinária, prestamo-nos a assistir a uma geração TV, em que cada vez mais, os jovens aspiraram a ser actores.

    A Central Models, fruto da evolução do mercado e dando continuidade ao trabalho efectuado até então assente numa base de profissionalismo, qualidade e prestígio, consolida e desenvolve o seu departamento de actores, Central Movie (Alexandra Lencastre, Ana Padrão, Bárbara Norton de Matos, Benedita Pereira, Carla Chambel, Gracinda Nave, Joana de Verona, Liliana Santos, Lúcia Moniz, Mafalda Luís de Castro, Mafalda Matos, Marina Albuquerque, Paula Lobo Antunes, Rita Pereira, Sandra Celas, Sara Salgado, Sofia Ribeiro, Yolanda, Teresa Ovídio, Afonso Pimentel, Amilcar Azenha, Bernardo, Fernando Luís, Frederico Barata, Ivo Canelas, Manuel Sá Pessoa, Marco Delgado, Pedro Lamares, Rui Porto Nunes e Virgílio Castelo), e abre o departamento Special, iniciando assim um trabalho de tratamento de imagem com apresentadores de televisão, desportistas, músicos (Ana Luísa Barbosa, Elisabete Jacinto, Marta Leite Castro, Rita Andrade, Raquel Prates, Tereza Salgueiro, Aldo Lima, António Aguilar, Filipe Gaidão, João Correia, Manuel Gião, Pedro Lamy, Pedro Penim, Rui Reininho, Tiago Pires, Vasco Uva e Zé Manel).

    Paralelamente, e com a resposta que a Central dá à necessidade do mercado de rostos mediáticos para a TV e para as suas campanhas de publicidade, a agência não abandonou a sua aposta na internacionalização dos modelos portugueses, a moda continua a ser, como sempre foi desde o início, o seu cartão de visita. Uma nova geração de modelos voltava a ter sucesso internacional: Alice, os gémeos Jonathan e Kevin Sampaio, Gonçalo Teixeira, Luís Borges e mais recentemente Sara Sampaio.

    Trabalhar a gestão de carreira de actores e a imagem de celebridades, provocou uma profunda transformação no funcionamento interno da Central, exigindo a todos na equipa a adaptação a novos métodos de trabalho, novas aptidões e competências, daí resultando uma gratificante experiência profissional e de relacionamento humano com cada representado. Os actores, cuja profissão corresponde ao mais belo e nobre exercício artístico que o ser humano pode desempenhar, em conjunto com as celebridades, são um universo de estrelas (enquanto referências) individuais, cada um com a sua maneira de ser e estar na vida e na profissão, com objectivos diferentes, logo, com necessidades de agenciamento e acompanhamento distintos e personalizados. Sentimos ter sido bem sucedidos na maioria das nossas apostas, conforme a satisfação transmitida por muitos dos representados, apesar das contrariedades e dificuldades que o próprio mercado tem apresentado.

  • BOOKERS CENTRAL. EQUIPA.

    Elos de ligação entre os clientes e os agenciados, os bookers são os pilares determinantes para o bom funcionamento de qualquer agência. É em equipa e com eles que o “coração” de uma agência funciona, e porque a Central é uma empresa com características familiares, sempre tivémos consciência e orgulho do valor profissional e humano da equipa que connosco cresceu, trabalhou e construíu a “marca” que hoje representa o nome Central. Nesta passagem pelos 20 anos, a eles gostava de registar aqui um agradecimento especial, por todo o trabalho assente numa base de qualidade profissional, conhecimento e sensibilidade superior, partilhando connosco tantos e tão bons momentos de alegria, e sempre presentes nos momentos de adversidade.

    • Zaida Miranda

      A Headbooker da Central praticamente desde o seu início. O rigor, eficiência e perfeccionismo, os princípios assertivos da ética profissional, da aplicação de regras e o garante seguro do fecho de todas as tarefas no final de cada dia de trabalho.

    • Cecília Mateus

      Tendo uma sensibilidade notável para avaliar o talento de cada um para representar, foi brilhantemente responsável pela criação do departamento Movie da Central. Desdobra-se incansavelmente na gestão de carreira de uma excelente equipa de actores, alguns dos quais a si muito devem pelo seu incentivo, orientação, zelo e profissionalismo que a eles dedicou.

    • Mário Oliveira

      A sensibilidade, a criatividade e o bom gosto em pessoa. Com uma cultura de Moda impar, apaixonado pelo seu trabalho, é incansável pela dedicação e acompanhamento aos modelos e responsável por muitos dos seus sucessos internacionais. Amigo do seu amigo, a sua boa disposição é constante e contagiante a todos os colegas, modelos e clientes. Um admirável braço direito.

    • Swailla

      A sua leveza, tranquilidade, equilíbrio, segurança, charme e simpatia quando pisava a passerelle e que faziam dela uma das melhores modelos da sua geração, são as mesmas características que a definem como Booker na mesa redonda da Central com clientes, colegas e modelos.

    • Mi Romano

      A Modelo em pessoa, o exemplo a seguir, o carinho, a ponderação, a simpatia com que diariamente se relaciona com todos os New Faces, bem como todos os representados, ajudando-os a crescer como pessoas e como modelos, torna-a um dos pilares essenciais para o sucesso da Central.

    • Backoffice

      Uma palavra igualmente de agradecimento à dedicação, empenho e competência com que o João Romano e a Paula Rodrigues asseguram o dia-a-dia da gestão burocrática da Central, bem como à Paula Raposo, pela sua contribuição para a comunicação das actividades da Central e de todos os seus representados.

  • CENTRAL, PRESENTE E FUTURO.

    Cumpridos os primeiros vinte anos de agência, preparamo-nos para iniciar os próximos vinte com um sorriso apontado ao futuro, convictos que o momento requer ponderação e visão, adaptação e mudanças. A Central quer ser mais Central, e mudou as suas instalações para o centro de Lisboa, na Av. Da Liberdade, no início de 2010. Tendo funcionado única e exclusivamente no campo do agenciamento de representados, que são Imagem da moda, da publicidade e do áudio visual nacional e internacional, a Central está convicta que pode ser também participativa da construção dessa mesma Imagem em Portugal. Essa idéia, deu origem a uma nova designação da agência para Central Portugal, e à abertura de novos departamentos que permitam concretizar aquela intenção, podendo assim ampliar os seus campos de funcionamento e de acção.

    Com esse propósito, e na sequência dessa vontade, a família Central, agora necessariamente mais empresa, cresceu e a sua Direcção passa a ser constituída por três pessoas, e para além da Mi e do Tó Romano, tem também o António Amaral, com larga experiência acumulada no campo da gestão, dos eventos e em produção.

    Com a vontade, determinação e energia inabalavéis que nos guinda, mais bookers e elementos para os novos departamentos serão anunciados em breve, assim como mais modelos, actores, personalidades e figuras queridas de todos nós.

    Esperamos assim, continuar a colorir, cada vez mais e com mais pessoas, a bandeira da imagem de Portugal.

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